Motociclistas são quase metade dos mortos em acidentes de trânsito em Pernambuco


Acidentes de moto respondem por 28,5% das mortes no trânsito no País
Pernambuco registrou 3.953 mortes por acidentes de trânsito entre 2012 e 2013, sendo 1.633 apenas motociclistas. São milhares de vidas a menos. Que abalaram famílias, aumentaram as despesas da rede pública de saúde. E, principalmente, que provavelmente poderiam ser evitadas com pequenas atitudes. Não misturar álcool e direção, prestar atenção à sinalização, deixar o celular de lado enquanto dirige e usar os equipamentos de segurança para pilotar motos são algumas delas. 
De acordo com a secretaria estadual de Saúde, somando os dois anos foram 84.972 atendimentos, 60.687 deles a motociclistas. Em 2014, foram  45.942 vítimas, das quais 34.288 estavam em motos. Os gastos gerados por feridos graves em acidentes são, em média, de R$ 230,6 mil, com custo hospitalar de R$ 80 a R$ 120 mil, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), autor dos dados que baseiam a elaboração das políticas públicas no Estado.

A maior emergência da rede estadual, o Hospital da Restauração, no Centro do Recife, atendeu, só até 14 de maio deste ano, 898 vítimas de acidentes de moto, além de 128 feridos em colisões de carro com moto. Veja os números na unidade:



Temendo entrar para as estatísticas, o coordenador de Tecnologia da Informação Thalles de Lima, 23 anos, ao mudar de emprego, trocou a moto que usava há três anos por um carro. "Agora estou passando por um trecho perigoso, cheio de buracos e sem iluminação", justifica, se referindo à BR-101, entre o bairro da Macaxeira, na Zona Norte do Recife, e o município de Abreu e Lima, na Região Metropolitana. 

Foram decisivos na escolha o fato de ter visto dois acidentes envolvendo motos, um deles com morte, nos dois meses em que está no novo trabalho, além de um amigo da sua esposa ter falecido vítima de uma colisão na rodovia. "A estrada é muito precária e movimentada. Isso faz com que seja mais perigoso do que o normal", afirma.

Para Thalles, o conforto e a segurança estão entre as vantagens do carro. Entretanto, o preço mais alto e o tempo perdido nos engarrafamentos são pontos negativos da troca. "Fico de 30 a 45 minutos a mais no trânsito. Como mudei de veículo, também mudei hábitos", exemplifica. Por enquanto, tem valido a pena, mas ele quer comprar uma moto para percorrer percursos menores e para o lazer.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), houve 1.508 acidentes nas rodovias federais que cortam Pernambuco até março este ano, sendo 311 deles com moto. Em todo o ano passado, foram 7.402 acidentes, 1.536 envolvendo motocicletas e motonetas. Levando em consideração só a BR-101, citada por Thalles, foram 3.033 acidentes em 2014 e 619 só no primeiro trimestre de 2015. Veja outros números das estradas:
Em todo o País, 127.094 das internações ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014 foram de vítimas de acidentes de trânsito, ao custo de R$ 183 milhões. Segundo o Ministério da Saúde, 42.266 pessoas morreram em 2013 no Brasil por causa das ocorrências - em 2012, foram registrados 43.256 óbitos. Os acidentes de moto respondem por 28,5% das mortes.

Jefferson usa a moto para viajar e ir ao trabalho
Jefferson usa a moto para viajar e ir ao trabalhoFoto: Cortesia
O supervisor de atendimento Jefferson Almeida, 24, já sofreu três acidentes de moto, o último há dois meses, quando, segundo ele, estava parado em um sinal da Avenida Agamenon Magalhães e uma mulher que falava ao celular colidiu com ele. Dessa vez, Jefferson machucou o tornozelo, mas ficou escoriações há cinco meses, quando colidiu com outra moto, e há quatro anos, quando pilotava sem habilitação e derrapou numa curva. 

Mesmo assim, prefere usar a moto para se locomover e também como forma de lazer. Diariamente vai de casa, em Ouro Preto, em Olinda, no Grande Recife, para o trabalho, em Boa Viagem, na Zona Sul da capital pernambucana, e costuma viajar com o Pardal Moto Grupo, do qual é fundador. "Logo depois (do acidente) você pensa no machucado, mas quando sobe na moto é muito bom, além de ser prática e econômica. Gosto de pilotar", afirma. Jefferson comprou a moto para fugir do trânsito e não depender do transporte coletivo.

Agora pilotando de forma mais responsável, Jefferson reclama de uma atitude arriscada que motoristas costumam tomar nesse percurso: trocar de faixa sem sinalizar. E alerta aos outros motociclistas que devem sempre estar atentos aos retrovisores, prestar atenção também aos carros da frente, não fazer ultrapassagens arriscadas e usar sempre os equipamentos de segurança, como capacete, luvas, jaqueta e calça. "Somos os nossos próprios airbags. Levamos a pior sempre. Não tem como ter menos danos do que o motorista", adverte.

Uso do capacete é essencial até nas cinquentinhas, apesar de essas motos ainda não serem regulamentadas
Uso do capacete é essencial até nas cinquentinhas, apesar de essas motos ainda não serem regulamentadasFoto: Bobby Fabisak/JC Imagem
O QUE FAZER - Não é porque os motociclistas são quase metade dos mortos em acidentes de trânsito no Estado que as motos devem ser abolidas. Tudo é uma questão de respeito, como quer mostrar o Maio Amarelo, campanha de iniciativa de órgãos públicos e movimentos sociais para reduzir o número de acidentes através da conscientização.

O Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) dá algumas dicas para os motociclistas: respeitar os limites de velocidade, que varia do limite de 80 quilômetros por hora nas vias de trânsito rápido até 30 quilômetros por hora nas vias locais; nunca avançar o sinal vermelho; manter o farol ligado mesmo durante o dia; não trafegar "costurando" o trânsito; usar os dois freios, acionando tanto o pedal quanto os manetes; inspecionar itens como a calibragem dos pneus, a corrente de relação e o combustível antes de sair; e usar equipamentos de proteção de boa qualidade, principalmente o capacete.

Uma cartilha do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), que pode ser acessada neste link, ensina ainda que, para cuidar da própria saúde, os motociclistas devem manter a coluna em posição reta, com cabeça elevada e ombros relaxados. Os punhos devem ficar mais baixos do que as mãos, os joelhos devem estar encostados no tanque de combustível e os pés, paralelos ao solo, com o salto do sapato encaixado nas pedaleiras e a ponta do pé direito sobre o pedal do freio traseiro.

O alerta também vale para os motoristas. De acordo com o artigo 29 do Código de Trânsito Brasileiro, "respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres."
JC ONLINE 

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